Alimentos neurotóxicos: por que evitá-los?

16 Novembro, 2020
Embrulhar alimentos em papel alumínio pode estar associado a um maior risco de desenvolver Alzheimer. Que outros alimentos neurotóxicos seria melhor evitar?

Os alimentos neurotóxicos são aqueles que contêm substâncias que podem prejudicar a saúde do cérebro. Mais especificamente, destacam-se os produtos com probabilidade de conter a toxina botulínica. Ela pode induzir uma paralisia do sistema nervoso central que causa problemas graves e até mesmo a morte.

Essa toxina é um produto do organismo Clostridium Botulinum, umabactéria que é capaz de crescer em certos alimentos em conserva que foram mal esterilizados. A seguir, veremos o que precisamos saber para evitar esse tipo de perigo.

Higiene alimentar contra os alimentos neurotóxicos

Para evitar a contaminação dos alimentos, é necessário manter bons hábitos de higiene alimentar. Congelar e descongelar os alimentos na temperatura correta e respeitar a data de validade são exemplos de boas práticas.

Nesse sentido, as conservas de tomate mal esterilizadas são o criadouro ideal para o desenvolvimento de bactérias causadoras de botulismo, conforme afirma um artigo publicado na revista Pediatrics in Review.

Por isso, é imprescindível submeter esse tipo de produto a altas temperaturas e, se possível, recorrer à embalagem a vácuo. As bactérias que geram essa toxina são incapazes de sobreviver na ausência de oxigênio e são sensíveis a altas temperaturas.

Por outro lado, as crianças menores de um ano são especialmente suscetíveis a esse tipo de intoxicação alimentar. Os bebês podem desenvolver uma patologia conhecida como botulismo infantil por meio do consumo de mel, de acordo com um estudo realizado em 2017.

Alimentos neurotóxicos

As embalagens podem potencializar a neurotoxicidade

A forma de conservar os alimentos é um ponto crítico para evitar a sua toxicidade. Dessa forma, elementos como o papel alumínio poderiam apresentar certas propriedades neurotóxicas a longo prazo.

Alguns especialistas associam o uso desses materiais a um maior risco de doenças neurodegenerativas. No entanto, não há nenhuma evidência sólida a esse respeito para proibir o seu uso. Apesar disso, é recomendável ter cautela e procurar manter os alimentos armazenados em papel sempre que possível.

Os peixes grandes poderiam ser alimentos neurotóxicos

Os peixes grandes geralmente acumulam maiores quantidades de mercúrio no seu tecido adiposo. Se ingerido em grande quantidade e de forma crônica, esse metal tem uma certa capacidade neurotóxica.

Por esse motivo, as gestantes são orientadas a não consumir peixes desse tipo com frequência, pois o metal poderia passar para o feto e prejudicar a sua saúde.

No entanto, não há evidências sólidas ligando o consumo de peixes grandes a um maior risco de doenças do sistema nervoso central. Além disso, é necessário enfatizar que o mercúrio é lipossolúvel e, por isso, ele é encontrado em maior quantidade nas partes mais gordurosas dos alimentos.

Apesar de tudo, recomenda-se o consumo de peixes pequenos com maior frequência. Com esse cuidado, podemos garantir a inclusão de proteínas e ácidos graxos de qualidade à dieta, ao mesmo tempo em que minimizamos os riscos de possíveis intoxicações a longo prazo.

Alimentos neurotóxicos

Uma alimentação variada e uma boa higiene alimentar

Quando se fala em saúde, é preciso levar em consideração a necessidade de manter uma alimentação variada e balanceada. Além disso, existem certos tipos de práticas que agregam valor aos alimentos.

O fato de respeitar as regras de higiene alimentar reduz de forma significativa os riscos derivados da ingestão de alimentos.

Por esse motivo, é importante congelar e descongelar os produtos de forma adequada, bem como evitar a contaminação cruzada. Da mesma forma, esterilizar os alimentos em conserva adequadamente limita bastante os riscos.

Além disso, recomenda-se cautela com o uso do papel alumínio para conservar os alimentos. Embora não haja fortes evidências desaconselhando o seu uso, há indícios suficientes de que ele possa ser prejudicial para o sistema nervoso a longo prazo. Assim, se possível, é melhor embrulhar os alimentos em papel para a sua conservação.

De qualquer forma, não devemos nos esquecer de que, além dos alimentos, as substâncias neurotóxicas também podem ser encontradas em muitos outros locais.

O ar, por exemplo, é uma fonte de monóxido de carbono que, em grandes quantidades, pode afetar a saúde de forma negativa. De fato, os seus efeitos neurotóxicos foram constatados em vários artigos científicos.

  • Carrillo Marquez MA., Pediatr Rev, 2016. 37 (5): 183-92.
  • Wendt S., Eder I., Wolfel R., Braun P., et al., Botulism: diagnosis and therapy. Dtsch Med Wochenscher, 2017. 142 (17): 1304-1312.