A era híbrida na F1

Muitos fãs argumentam que as mudanças que a Fórmula 1 introduziu nos últimos anos acabaram com a essência e a emoção das corridas. Saiba do que se trata a era híbrida a seguir.
A era híbrida na F1

Última atualização: 03 Agosto, 2020

Em termos de avanços tecnológicos, certamente não há nenhuma modalidade que possa competir com a Fórmula 1, e não apenas no setor automobilístico, mas sim no esporte como um todo. Há alguns anos, estamos vivendo a era híbrida na F1. Você sabe no que consiste esta nova etapa histórica da categoria mais alta do esporte a motor?

Passos para a era híbrida na F1

A era híbrida na F1 foi desencadeada pelo fator financeiro, assim como ocorreu tantas outras vezes no mundo dos esportes. Primeiramente, deve-se considerar que os motores usados ​​até então consumiam quase 90 litros de combustível a cada 100 quilômetros, ou seja, um número muito grande em larga escala.

Portanto, decidiu-se modernizar as unidades de potência dos carros, seguindo também a orientação de muitos governos e empresas quanto ao uso de energias mais sustentáveis. Nas linhas a seguir, veremos como foi a chegada da energia elétrica à Fórmula 1.

Predecessores

O zumbido tão característico do qual todo fã do esporte a motor se lembrará era produzido pelos motores V10 que os carros de Fórmula 1 usaram de 1989 até 2005. Esse elemento era o principal motivo que fazia dos carros de Fórmula 1 os veículos mais rápidos do mundo. Além disso, o som produzido era fantástico.

Em relação às suas qualidades técnicasesses motores atingiam impressionantes 19.000 rotações por minuto, o que lhes permitia gerar entre 900 e 950 cavalos de potência. Tudo isso com um peso próximo aos 90 quilos!

De 2006 a 2013, optou-se por motores V8 com um limite de 18 mil RPM desde 2009. Embora tivessem menos potência – cerca de 750 HP –, eles consumiam quase 20% menos combustível do que os anteriores.

Kinetic Energy Recovery System: início da era híbrida na F1

O famoso KERS, chamado de frenagem regenerativa em português, foi introduzido em 2009 e foi o primeiro passo para uma nova etapa na categoria mais alta do automobilismo.

Sua operação é simples: basicamente, ele armazena a energia gerada pela frenagem do carro para que ela seja aplicada pelo piloto a seu critério, a fim de ganhar velocidade durante o percurso.

A era híbrida na F1

Houve muitas discussões no início. As equipes afirmavam que, embora ele fosse muito útil nos circuitos mais rápidos, o seu peso representava uma carga excessiva em etapas mais lentas, como o GP de Mônaco, por exemplo. Por isso, foi decidido que ele não seria usado em 2010, mas ele retornou à Fórmula 1 em 2011.

Chegada definitiva da era híbrida na F1

O ano de 2014 foi o momento da virada para a adoção dessa tecnologia na Fórmula 1Com um mundo orientado para o consumo responsável e sustentável, os carros incorporaram os motores mais complexos – e mais caros – do mundo.

Os motores usados ​​atualmente – agora chamados de unidades de potência – são V6 e têm alimentação turbo. Eles são chamados de ‘híbridos’ porque, além de terem uma parte de combustão interna, também usam energia elétrica para se impulsionar.

Esses novos modelos são muito mais eficientes do que os anteriores, embora ainda precisem de combustível para funcionar. No entanto, o consumo caiu para 34 litros a cada 100 quilômetros percorridos.

A velocidade não foi reduzida, apesar dessa mudança drástica na categoria mais alta. De fato, embora o seu limite seja de 15.000 RPM, eles são capazes de produzir 950 cavalos de potência, dos quais cerca de 150 são provenientes do dispositivo elétrico.

Infelizmente, o ronco tão amado pelos fãs ficou praticamente apenas na memória, já que os novos motores são muito mais silenciosos do que antes. Para muitos, este é um defeito que as equipes nunca perdoarão, por mais benéficas que as mudanças tenham sido.

Os primeiros anos da era híbrida

Conforme mencionamos, os novos motores usados ​​nesta categoria são extremamente caros. Por esse motivo, e também por outros problemas relacionados ao desenvolvimento de unidades de potência confiáveis, surgiu uma enorme distância entre as escuderias.

A era híbrida na F1

A Mercedes é a líder indiscutível da categoria desde 2014. Somente a Red Bull e a Ferrari conseguiram acompanhar o seu ritmo, e apenas até certo ponto: das cem primeiras corridas da era híbrida, 74 ficaram nas mãos da marca alemã, enquanto a equipe vermelha venceu 14 e a Red Bull, que dominou de 2010 até 2013, venceu apenas 12.

Esses resultados indicam que a ideia de reduzir a previsibilidade dos campeonatos não deu resultado. Além disso, os problemas técnicos sofridos pelas outras equipes, mesmo equipes fortes como a Honda, não são o melhor convite para que novas marcas se juntem à categoria para promover as suas novas tecnologias.

Em suma, nos últimos três anos, houve avanços sem precedentes quanto à tecnologia dos carros de corrida. O resultado é quase o dobro de eficiência energética em relação aos motores V8 usados ​​anteriormente, mas isso levou a uma menor competitividade.

E você? O que você acha da era híbrida na F1? Essa categoria perdeu a sua essência tão distintiva, ou está apenas evoluindo como o resto dos esportes?

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