Sedes dos Jogos Olímpicos que foram abandonadas

01 Abril, 2020
Muitas pessoas se opõem à organização dos Jogos Olímpicos, alegando que os investimentos em infraestrutura acabam sendo um desperdício a longo prazo. Apresentamos alguns exemplos que corroboram essa afirmação.
 

A cada quatro anos, as cidades que têm a honra de sediar as Olimpíadas recebem a atenção de todo o mundo e milhões de visitantes aproveitam esse espetáculo único. No entanto, quando as luzes se apagam e as cortinas se fecham, a realidade desses lugares muda radicalmente e muitas sedes dos Jogos Olímpicos acabam abandonadas.

Tanto os governos das cidades e dos países anfitriões quanto o próprio Comitê Olímpico Internacional realizam importantes investimentos para que os estádios e as vilas olímpicas brilhem durante as Olimpíadas.

Entretanto, isso leva, a longo prazo, a custos de manutenção que frequentemente fogem dos recursos do Estado. Além disso, além do uso feito durante os próprios Jogos, muitas vezes não se justifica tamanho investimento para manter estruturas que serão usadas pontualmente.

4 sedes de Jogos Olímpicos abandonadas

Pelos motivos que mencionamos anteriormente, muitas cidades contam com instalações de primeiro nível que ficaram abandonadas e se deterioraram com o passar do tempo. A seguir, mencionaremos algumas que chamam a atenção:

1. Instalações de Pequim 2008

Lugares esplêndidos, como o estádio Ninho de Pássaro – o principal dessa edição dos Jogos –, o microestádio de vôlei de praia e até os mascotes são retratos que ilustram perfeitamente a situação que aqui comentamos. Além disso, o que agrava o fato é que esses Jogos Olímpicos foram os mais caros da história.

Sedes dos Jogos Olímpicos abandonadas
 

Imagem: Libre Mercado.

Esses lugares ficaram semidestruídos pelo desuso e pela falta de manutenção. Inclusive, a vegetação começou a crescer em vários deles, o que causa a sensação amarga de pensar em todos os recursos investidos e que foram perdidos em tão pouco tempo.

2. O abandono das sedes dos Jogos Olímpicos do Rio 2016

Novamente, o pouco tempo transcorrido desde esse encontro olímpico não é impedimento para que os estádios brasileiros se vejam afetados pelo abandono. As imagens falam por si só: são vistos bancos descartados em um depósito, água parada e quadras e campos danificados.

Sedes dos Jogos Olímpicos abandonadas

Imagem: elconfidencial.com

Nem sequer o mítico estádio do Maracanã, símbolo do futebol – esporte mais popular aqui – pôde se salvar. Assim, o seu campo está desfeito, os bancos quebrados, e até cortaram o suprimento elétrico por falta de pagamento!

3. As novas ruínas de Atenas

Para os Jogos Olímpicos de Atenas 2004, foram gastos mais de doze milhões de dólares em infraestrutura.

Além disso, como o governo grego decidiu não recorrer a patrocinadores privados – algo habitual em eventos desse calibre – o dinheiro saiu em grande parte, então, dos cofres públicos.

 

É verdade, também, que grande parte das obras foram realizadas na própria cidade, com a melhoria das estradas, novos meios de transporte públicos e outras melhoras do tipo.

Entretanto, no que se refere aos campos esportivos, a situação de abandono hoje é notável. Inclusive, aconteceu algo similar com o aeroporto Hellinikó, construído alguns anos antes do grande evento, mas hoje totalmente inutilizado.

Apenas algumas piscinas do complexo aquático e certos campos de futebol e de basquete foram mantidos e continuam sendo utilizados.

Ruínas em Atenas

Imagem: BBC.

4. Sarajevo 1984 e Atlanta 1996, outros dois casos emblemáticos

A capital da Bósnia e Herzegovina foi a sede dos Jogos Olímpicos de Inverno em 1984. Atualmente, a maior parte das instalações se encontra destruída, produto da guerra civil que Sarajevo viveu há pouco tempo.

Contudo, o caso de Atlanta é algo mais peculiar: um ano depois dos Jogos, o Estado decidiu demolir estruturas como o estádio principal – Centennial Olympic Stadium – para, então, substituí-lo pelo campo de beisebol da equipe local, os Atlanta Braves.

Estádio em Atlanta
 

Imagem: lavozdelmuro.net

Finalmente, vale a pena esclarecer que nem todas as sedes de Jogos Olímpicos acabam abandonadas. De igual modo, nem sempre esse evento traz perdas econômicas.

Por exemplo, Los Angeles 1984 e Barcelona 1992 são dois exemplos de bom uso das estruturas já existentes, o que deu lugar a uma economia de dinheiro muito importante. Além disso, muitos desses lugares continuam em uso até hoje.

Definitivamente, tudo acaba sendo um negócio de custos que se multiplicam, expectativas que superam a realidade e escassas vantagens a curto e longo prazo. É por isso que muita gente resiste à organização dos Jogos Olímpicos, embora seja um espetáculo que põe uma cidade no topo do mundo por algumas semanas.

 
  • El deplorable aspecto de los estadios de Beijing 2008, los Juegos Olímpicos “más caros de la historia”. 2018. Infobae. https://www.infobae.com/america/fotos/2018/08/06/la-deplorable-aspecto-de-los-estadios-de-beijing-2008-los-juegos-olimpicos-mas-caros-de-la-historia/
  • El impactante deterioro de las sedes olímpicas de Brasil a seis meses de los Juegos. 2017. Infobae. https://www.infobae.com/fotos/2017/02/10/el-impactante-deterioro-de-las-sedes-olimpicas-de-brasil-a-seis-meses-de-los-juegos/
  • Óscar Valero. 2014. Las otras ruinas de Atenas, a 10 años de los Juegos Olímpicos. BBC. https://www.bbc.com/mundo/noticias/2014/08/140813_deportes_atenas_aniversario_olimpiadas_ruinas_sedes_jmp
  • Ander Ordoño. 2014. Esquiando las ruinas de una Ciudad Olímpica. Red Bull. https://www.redbull.com/es-es/esquiando-las-ruinas-de-la-ciudad-ol%C3%ADmpica-de-sarajevo