Como as gorduras saturadas afetam o coração?

Apesar das crenças populares, a ingestão de gorduras saturadas não tem um impacto negativo sobre os níveis de colesterol ou a inflamação. Mas como isso afeta a saúde do coração?

Última atualização: 21 Fevereiro, 2021

As gorduras saturadas são um dos nutrientes mais demonizados. Durante muitos anos, afirmou-se que a sua ingestão poderia prejudicar a saúde cardiovascular e aumentar o risco de problemas como infarto ou derrame. No entanto, estudos recentes lançam dúvidas sobre essas afirmações.

Existem 2 tipos diferentes de lipídios: saturados e insaturados. Levando em consideração a sua configuração, podemos estabelecer outra classificação em dois grupos: ácidos graxos cis e ácidos graxos trans. São estes últimos que podem ter um impacto negativo na saúde, e não os saturados em si. Vamos explicar tudo para você a seguir.

O que são as gorduras saturadas?

Os lipídios saturados são uma série de macronutrientes caracterizados por apresentar apenas ligações simples na sua estrutura química. Normalmente são encontrados em alimentos de origem animal e geralmente são sólidos à temperatura ambiente.

Porém, o seu ponto de fusão não é alto. Conforme são aquecidos, tornam-se líquidos. No entanto, esse aumento na temperatura pode causar uma mudança na sua configuração e torná-los prejudiciais.

Essas gorduras são ruins?

Atualmente, as pesquisas mais recentes questionam se as gorduras saturadas podem aumentar o risco cardiovascular. Na verdade, algumas delas, como as presentes no óleo de coco, mostraram ter efeitos protetores sobre o coração.

Por outro lado, durante muitos anos, afirmou-se que a ingestão dessas gorduras saturadas era capaz de alterar o perfil lipídico do sangue, ou seja, de aumentar o colesterol. Este foi um dos motivos pelos quais o consumo semanal de ovos era limitado.

No entanto, foi demonstrado que essa influência não é tão grande quanto se pensava, e que ovos e lipídios podem ser consumidos sem medo de uma alteração significativa do colesterol.

Inclusive, é até mesmo questionado se o colesterol sanguíneo realmente é um bom preditor de doenças cardiovasculares. Estudos mais recentes, como o publicado na revista Trends in Cardiovascular Medicine, atribuem o risco de aterosclerose à oxidação de uma pequena fração do colesterol LDL, e não à sua presença no soro.

De fato, argumenta-se que um bom suprimento de antioxidantes é a chave para prevenir variações no equilíbrio da oxi-redução que dá origem a uma maior incidência de aterosclerose.

O problema das gorduras saturadas

Conforme discutido, as gorduras saturadas em si não representam um problema para a saúde, exceto em uma situação específica. Já mencionamos que esses lipídios podem ter mudanças na sua configuração se forem submetidos a altas temperaturas. Isso faz com que se transformem em gorduras trans, com potencial inflamatório.

Esses nutrientes são capazes de interferir na modulação da inflamação no corpo. Ao mesmo tempo, também podem causar alterações na manutenção do potencial de oxi-redução das lipoproteínas, o que aumenta o risco de formação de placas de ateroma que obstruem as artérias.

Portanto, os alimentos ricos em ácidos graxos trans são considerados perigosos para a saúde cardiovascular. No entanto, a ingestão de gorduras saturadas cruas ou submetidas a processos de cozimento menos agressivos não deve causar problemas.

As gorduras saturadas, um nutriente rotulado de forma injusta

Durante muitos anos, as gorduras saturadas foram consideradas prejudiciais para a saúde. No entanto, pesquisas atuais questionam essa relação e consideram esses nutrientes benéficos e essenciais.

Ainda existem muitas incógnitas quanto às doenças cardiovasculares. Nesse sentido, é necessário esclarecer o papel do colesterol e o risco que a inflamação e a oxidação realmente geram. No entanto, sabe-se que aumentar o consumo de gorduras cis é um fator protetor, da mesma forma que a prática de atividade física regular.

Por esse motivo, é aconselhável dar prioridade ao consumo de alimentos frescos ao invés dos processados ​​industrializados. Estes últimos geralmente contêm açúcares e lipídios trans na sua composição, nutrientes prejudiciais para a saúde metabólica e para o funcionamento do coração. Quanto mais o seu consumo for reduzido, melhor.

Além disso, é essencial evitar a ingestão de toxinas, como, por exemplo, o álcool. Em vez disso, é melhor estimular o consumo de frutas e vegetais com capacidade antioxidante na dieta.

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