Depressão em atletas: uma realidade cada vez mais comum

06 Julho, 2020
Cerca de 21% dos atletas sofrem de depressão. No entanto, isso continua sendo um assunto tabu. Os desencadeantes geralmente são o medo de desapontar pessoas, a ansiedade não gerenciada e o fato de não contar com um bom apoio emocional.
 

A depressão em atletas ainda é um assunto tabu. No entanto, pesquisas mostram que essa é uma realidade muito mais frequente do que pensamos.

Apesar disso, muitas vezes é algo tão oculto e negligenciado que muitas pessoas podem não acreditar que vários de seus atletas favoritos tiveram ou estão passando por um transtorno de humor.

Michael Phelps, um dos melhores nadadores e detentor do recorde de mais medalhas olímpicas da história, declarou em 2018 ter passado por vários episódios depressivos ao longo de sua carreira. Além disso, ele também revelou que a ideia de suicídio passou por sua mente em mais de uma ocasião.

Serena Williams, tenista que a maioria de nós admira por sua técnica, maneira de jogar e força, também passou por vários momentos depressivos. Ela viveu um dos mais graves logo após o nascimento de sua filha. Inclusive, a depressão pós-parto é uma experiência pela qual muitas atletas passam.

Também poderíamos falar de Kevin Love, da NBA, do jogador de futebol Andrés Iniesta e até de Rafael Nadal. Todos esses são atletas de elite, mas existem milhares de atletas anônimos que lidam secretamente com seu sofrimento e escuridão.

A depressão é, de fato, uma das principais causas de suicídio entre atletas. Estudos como o realizado na Universidade de Rochester mostram que esse risco aumenta quando o atleta sofre uma lesão.

Depressão em atletas: só sabemos a ponta do iceberg
 

Depressão em atletas: só sabemos a ponta do iceberg

A depressão em atletas é um estigma crônico em nossa sociedade. Não parece ter importância que grandes estrelas tenham falado publicamente sobre suas experiências, a situação não mudou.

Isso se deve a vários fatores, mas o mais importante ainda são as ideias distorcidas que continuamos a ter sobre as doenças mentais em geral.

Para entender um pouco mais a incidência desse transtorno psicológico na população esportiva, aqui estão apenas alguns dados estatísticos: a taxa de depressão na população em geral é de 6%, mas, entre os atletas, varia de 17 a 21%.

A psicologia do esporte se concentra nesse problema, reconhecendo que esse é um setor da sociedade que precisa de mais recursos e mais estratégias para ajudar os atletas a lidar com os aspectos emocionais aos quais eles são frequentemente submetidos.

Vamos entender um pouco melhor quais são as causas mais comuns de depressão em atletas.

Depressão em atletas: sou uma pessoa, não sou invencível

A depressão em atletas prova algo inegável. A preparação física e uma técnica bem treinada são de pouca utilidade se você não tem ânimo, se sua mente está exausta e se você tem necessidades emocionais não atendidas.

Os atletas não são invencíveis, e não importa quantos prêmios eles ganhem e quantos recordes eles superem. Ser forte não significa alcançar a linha de chegada primeiro ou vencer todas as competições.

Ser forte significa conhecer sua escuridão interior e encontrar luz, pedir ajuda quando precisar e aprender a lidar com a pressão, os medos e as ansiedades.

 

O estresse e a ansiedade não gerenciados levam à depressão mais cedo ou mais tarde

A depressão não surge da noite para o dia. É como uma névoa que gradualmente embaça um palco, tornando-se cada vez mais densa até saturar quase todos os cantos.

Uma das principais causas é, sem dúvida, o estresse diário que é silenciado ao invés de ser gerenciado. É também a ansiedade que se acumula ao longo do tempo até que, eventualmente, a pessoa tenha um ataque de pânico.

O mito de que o esporte previne a depressão

O mito de que o esporte previne a depressão

Tudo isso é agravado por um falso mito: que o esporte e a prática de atividades físicas evita a depressão. É verdade que uma vida ativa e exercícios aeróbicos atuam como grandes estímulos para o cérebro, levando a um aumento nas endorfinas e na serotonina.

No entanto, nenhum desses fatores pode evitar totalmente um transtorno do humor. De acordo com um interessante estudo publicado na Universidade Drexel pelo Dr. Andrew Wolanin, a depressão é mais comum entre os atletas devido às seguintes causas:

  • A pressão à qual os atletas estão sujeitos é maior do que em pessoas normais.
  • Eles têm um maior medo do fracasso.
 
  • Eles estão mais expostos a críticas.
  • Os atletas muitas vezes sentem angústia por decepcionar as pessoas ao seu redor.
  • Da mesma forma, muitos atletas não têm apoio de pessoas próximas a eles. Ter alguém para conversar honestamente, pedir ajuda e compartilhar sentimentos é algo necessário e saudável.
  • Existe um medo evidente de demonstrar e comunicar sentimentos e emoções, como medo, tristeza e angústia.

Para concluir, é muito importante que atletas entendam que experimentar estresse e ansiedade é completamente normal.

Pedir ajuda especializada o mais rápido possível não apenas permitirá que você lide melhor com suas emoções, mas também melhorará seu desempenho ao aumentar sua autoestima e suas habilidades de gerenciamento de emoções. Mantenha isso em mente.

 
  • Baum, AL (2013). Suicidio en deportistas. En Clinical Sports Psychiatry: An International Perspective (págs. 79-88). John Wiley and Sons. https://doi.org/10.1002/9781118404904.ch8
  • Onate, J. (2019, March 1). Depression in ultra-endurance athletes, a review and recommendations. Sports Medicine and Arthroscopy Review. Lippincott Williams and Wilkins. https://doi.org/10.1097/JSA.0000000000000233