A Era Aberta do tênis

Embora isso possa parecer surpreendente para muitas pessoas, o tênis esteve dividido em dois circuitos paralelos durante décadas. Um, o oficial, era disputado por jogadores amadores, e outro, paralelo, por profissionais pagos pelos promotores de suas turnês.
A Era Aberta do tênis

Última atualização: 22 Abril, 2020

Muitas vezes ouvimos especialistas no assunto falarem na mídia sobre a Era Aberta do tênis. No entanto, você sabe exatamente o que eles querem dizer com esse termo? Quais são as características dessa fase histórica do tênis e como era esse esporte antes?

Para entender completamente em que consiste a Era Aberta do tênis, precisamos voltar à década de 1920. Naquela época, jogadores de renome internacional, tais como o americano Vinnie Richards e a francesa Suzanne Lenglen, começaram a receber dinheiro para disputar torneios de exibição.

Com o passar do tempo, muitos dos melhores jogadores foram chamados para oferecer os seus serviços em turnês pagas por grandes empresários. De certa forma, esse foi o começo da profissionalização no tênis.

Por esse motivo, jogadores profissionais não puderam mais competir em torneios amadores durante muitos anos. Nessa lista estavam incluídas as disputas mais importantes – os quatro grand slams – e a Copa Davis.

No entanto, em 1968, houve muitas denúncias de jogadores amadores que recebiam dinheiro escondido. Foi então que se decidiu esclarecer a situação e unificar as competições de tênis. Em resumo, assim começava o esporte super profissional que conhecemos atualmente.

A Era Aberta do tênis: primeiros anos

Uma vez estabelecidas as novas condições, todos os jogadores passaram a ter o direito de participar dos torneios que escolhessem. Além disso, os melhores tinham a possibilidade de começar a viver do esporte.

Em 22 de abril de 1968, houve o primeiro torneio  sob dessa modalidade: o Hard Court Championships da Grã-Bretanha.

Os primeiros campeões da Era Aberta foram Ken Rosewall – australiano, que derrotou o seu compatriota Rod Laver na final – e a americana Virginia Wade, que renunciou ao seu prêmio por temer que essa nova era não fosse bem-sucedida.

A Era Aberta do tênis

Ken Rosewall, primeiro vencedor da Era Aberta do tênis. Imagem: The Australian.

Em 1970, os grandes torneios já haviam sido unificados: o Aberto da Austrália, Roland Garros, Wimbledon e o Aberto dos Estados Unidos agora já eram permitidos para todos os jogadores. Os conhecemos atualmente como Grand Slams.

Dois anos depois, em 1972, os jogadores organizaram e formaram a ATP, Associação de Tenistas Profissionais.

Com o tempo, essa entidade deu origem ao seu ranking. Até hoje temos essa classificação que determina os melhores tenistas. O ATP Tour, atual circuito profissional masculino, foi organizado pela primeira vez em 1990.

Quanto ao tênis feminino, a WTA – Women’s Tennis Association – foi criada em 1970, mas só foi oficializada três anos depois. Sua sede principal está em São Petersburgo, Estados Unidos.

Juntas, a ATP, a WTA e a ITF – International Tennis Federation – organizam, regulam e supervisionam os torneios mais importantes desse esporte no mundo todo. Da mesma forma, elas também participam de competições olímpicas, paraolímpicas e juvenis.

Mudanças nos torneios da época

Até aquele momento, havia duas vertentes no mundo do tênis. Por um lado, jogadores amadores que disputavam os torneios de maior prestígio e recebiam apenas as despesas com transporte, alimentação e hospedagem. Por outro lado, havia um grupo de tenistas que viajavam pelo mundo oferecendo exibições por dinheiro.

A Era Aberta do tênis

Bjorn Borg, um dos jogadores mais destacados da Era Aberta.

Quando a Era Aberta do tênis começou, esses dois mundos se uniram. Tenistas amadores e profissionais – em teoria com um nível mais alto – se enfrentaram em torneios que já continham anúncios publicitários e um público que pagava para vê-los em ação.

Sem dúvida, essa foi uma enorme mudança, especialmente para aqueles que não estavam acostumados a essa grande exposição. A pressão foi sentida por muitos deles, assim como relatado por Mark Cox, o primeiro amador a derrotar um profissional na história.

Desde então, a cobertura da mídia se multiplicou e a atenção do público cresceu como nunca havia acontecido antes. 

Dessa forma, alcançou-se o estágio que presenciamos atualmente, com tenistas profissionais que dedicam a vida inteira à realização dessa atividade, marcas que pagam milhões para aparecer em grandes eventos e bilheterias exorbitantes.

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