Diabetes e esporte: como a atividade física pode ajudar

O diabetes é uma das doenças metabólicas mais frequentes. Neste artigo, veremos como ela se relaciona com o esporte.

Última atualização: 08 Fevereiro, 2021

O diabetes é uma das principais doenças metabólicas que levam os pacientes a um consultório de endocrinologia. É uma doença complexa, que possui várias causas e várias formas de manifestação. Neste artigo, veremos as implicações que o esporte pode ter no tratamento da doença, ou mesmo em seu surgimento. Por isso, siga lendo para saber as relações entre diabetes e esporte.

Diabetes: o que é isso?

O Diabetes mellitus é uma doença metabólica. Sua fisiopatologia principal consiste em um déficit na secreção de insulina ou na incapacidade desse hormônio de exercer sua ação no corpo.

Vale a pena saber que a insulina é um hormônio responsável pela ação da glicose que circula em nosso sangue, permitindo que seja introduzida nas células por seus transportadores específicos.

Por isso, a secreção insuficiente de insulina ou perda da atividade desse hormônio causará acúmulo de glicose no sangue. A hiperglicemia constante é o sinal mais sugestivo de diabetes ao realizar uma análise laboratorial.

Sintomas de diabetes

De fato, esta é uma doença com pouca sintomatologia nos estágios iniciais. Geralmente apresenta sintomas como perda de peso, aumento do apetite e sede, dormência nas mãos e nos pés, além de aumento na frequência com a qual vamos ao banheiro. Portanto, ela geralmente passa despercebida em seus estágios iniciais.

Em seu estado crônico, se não for bem controlado, o diabetes pode causar sintomas derivados de danos nos tecidos. Esses danos são causados ​​pelo excesso de glicose, principalmente nos vasos sanguíneos. Destacam-se os seguintes:

  • Retinopatia diabética. Ocorre devido à lesão nos vasos sanguíneos da retina. Isso pode causar perda de nitidez da visão e pode até levar à cegueira permanente.
  • Distúrbios circulatórios. Esse tipo de consequência é muito característica do diabetes mal controlado que afeta a microcirculação distal, principalmente nos pés. Isso produz uma falta de aporte sanguíneo nessa área, o que leva a uma perda de tato, formigamento e até necrose tecidual. Em alguns casos, a amputação de membros se torna necessária.

  • Danos cardíacos. A presença de glicose danifica o endotélio das artérias coronárias. Isso cria um ambiente muito propenso à formação e progressão de placas de ateroma, que podem ser a causa de um infarto do miocárdio ou outras doenças cardíacas.

Tipos de diabetes

Atualmente, existem muitos tipos de diabetes e há ainda novas pesquisas que apontam para a existência de mais alguns. A maioria deles têm um importante componente genético. Neste artigo, de maneira breve e didática, trataremos da classificação clássica e simples em dois tipos:

  • Diabetes tipo I ou insulinodependente. Esse diabetes também é conhecido como diabetes juvenil porque é de origem genética. Esse distúrbio genético faz com que o pâncreas seja incapaz de gerar insulina. Por esse motivo, a doença é chamada de diabetes insulinodependente. Se tratarmos essa doença com insulina, ela pode ser perfeitamente controlada.
  • Diabetes tipo II. Esse diabetes pode ter componentes genéticos, mas sua fisiopatologia é essencialmente ambiental. Isso significa que é o estilo de vida que marcará se a doença surge ou não. Os pacientes que desenvolvem essa doença, geralmente, comem muito mal e levam um estilo de vida sedentário. Sendo assim, há uma grande quantidade de glicose permanentemente em seus vasos sanguíneos. Dessa maneira, a insulina se torna insensível e ineficaz, permitindo que a doença ocorra.

Como o diabetes e os esporte estão relacionados?

Tendo explicado tudo isso, podemos deduzir que a prática de esportes pode ser benéfica tanto no tratamento da doença quanto como um método preventivo antes de seu surgimento.

Diabetes e esporte: uma forma de tratamento

O esporte é uma ótima ferramenta terapêutica em pacientes diabéticos. A atividade física reduz os níveis de glicose no sangue e pode auxiliar uma insulina que, embora ineficaz em pacientes com diabetes tipo II, pode ter alguma atividade nos estágios iniciais da doença.

Em pacientes com diabetes tipo I, que não têm insulina, e em pacientes com diabetes tipo II avançado, cuja insulina é totalmente inutilizável, essa redução da glicose no sangue pode levar a um melhor controle da doença. Sendo assim, é possível reduzir as doses de insulina que precisam ser administradas.

Diabetes e esporte: para prevenir doenças

No diabetes tipo I, como dissemos, a etiologia da doença é de origem genética. Portanto, não há como prevenir a doença.

No entanto, o diabetes tipo II é geralmente precedido por uma condição chamada pré-diabetes ou síndrome metabólica. Nesse estado, a insulina começa a se tornar insensível e a glicose permanece elevada por longos períodos de tempo. O exercício físico e a adoção de uma alimentação correta pode reverter essa situação e impedir que os pacientes sofram de diabetes.

Uma vez estabelecida a doença, o exercício pode retardar a necessidade de tomar insulina. Quando alguém sofre de diabetes, em quase todos os casos, a insulina acaba se tornando ineficaz. Entretanto, é possível retardar o agravamento do quadro através de exercícios físicos.

Diabetes e esporte: uma forma de controlar complicações

Por fim, as complicações da microcirculação e os principais sintomas da doença são causados por um excesso de glicose no sangue. O exercício físico permite reduzir a glicose no sangue, para evitar possíveis complicações cardiovasculares ou oculares derivadas desse excesso de glicose.

Pode interessar a você...
Fit PeopleLeia em Fit People
Podemos praticar esportes em jejum?

Praticar esportes em jejum é um assunto que ganhou popularidade nos últimos anos e é mais uma prova de que existe uma infinidade de modas no mundo fitness.



  • Yurkewicz M, Cordas M, Zellers A, Sweger M. Diabetes and Sports: Managing Your Athlete With Type 1 Diabetes. Vol. 11, American Journal of Lifestyle Medicine. SAGE Publications Inc.; 2017. p. 58–63.
  • Wu Y, Ding Y, Tanaka Y, Zhang W. Risk factors contributing to type 2 diabetes and recent advances in the treatment and prevention. Vol. 11, International journal of medical sciences. 2014. p. 1185–200.
  • Hauner H, Scherbaum WA. Diabetes mellitus Typ 2. Vol. 127, Deutsche Medizinische Wochenschrift. 2002. p. 1003–5.
  • Kharroubi AT. Diabetes mellitus: The epidemic of the century. World J Diabetes. 2015;6(6):850.
  • Kazi AA, Blonde L. Classification of diabetes mellitus. Vol. 21, Clinics in Laboratory Medicine. 2001. p. 1–13.